Reconstrução do RS
Casas, diques e proteção contra a próxima cheia
As enchentes de maio de 2024 atingiram 478 dos 497 municípios gaúchos e deixaram 184 mortos. A reconstrução envolve os três níveis de governo: a União financia casas e grandes obras de proteção, e o estado e as prefeituras fazem os projetos e executam. O próximo presidente decide quanto dinheiro federal continua indo para o estado, o que acontece com a dívida gaúcha, suspensa até 2027, e em que ritmo saem os diques e as moradias.
Os dois cenários
Se Lula for eleito
Histórico: o que já aconteceu
- Em 2024, o governo suspendeu por três anos o pagamento da dívida do estado com a União e pagou auxílio emergencial a 420 mil famílias atingidas.Fonte: Agência Brasil, 1º/5/2025
- Em maio de 2026, o governo informou ter destinado mais de R$ 89 bilhões ao estado e aos municípios gaúchos, com 94% já executados. São números do próprio governo.Fonte: Extra Classe, 7/5/2026
- O fundo federal para obras de proteção contra cheias tem R$ 6,5 bilhões disponíveis desde dezembro de 2024. Em maio de 2026 foram assinados contratos de R$ 5,4 bilhões para o canal de drenagem de São Leopoldo e para os sistemas do Arroio Feijó, da Bacia do Gravataí, de Eldorado do Sul e da Bacia dos Sinos.Fonte: Extra Classe, 7/5/2026
- Em fevereiro de 2026, o Ministério das Cidades contava 10.588 imóveis contratados pela Compra Assistida, em que a família escolhe um imóvel pronto e o governo paga, e 1.983 casas em obras, de 9.350 anunciadas.Fonte: Rádio Pampa, 29/9/2026
Proposta: o que promete
- "Continuaremos a ampliar o investimento em políticas de prevenção e redução de riscos de desastres" e ampliar a infraestrutura hídrica para garantir "proteção contra cheias e enchentes".Fonte: Plano de governo de Lula, p. 72
- Manter o investimento do Novo PAC em "obras de contenção de encostas e drenagem urbana sustentável", que o plano diz somar R$ 25 bilhões, e seguir "aprimorando a Defesa Civil".Fonte: Plano de governo de Lula, p. 47
- Aprimorar os protocolos de "proteção à população afetada ou deslocada" criados depois do desastre no Rio Grande do Sul e ligar a assistência social à resposta a eventos extremos.Fonte: Plano de governo de Lula, p. 25 e 73
Projeção: o que tende a acontecer
- A tendência é de continuidade: as obras de proteção já contratadas seguem com o dinheiro reservado no fundo federal, e as moradias, pelo Minha Casa, Minha Vida. O ritmo depende também dos projetos do estado e das prefeituras.Análise do Risco Real
Ressalvas: críticas e incertezas
- Os contratos das grandes obras de proteção só foram assinados em maio de 2026, dois anos depois da enchente, com uma única ordem de serviço para início de obra. O dinheiro estava disponível desde dezembro de 2024.Fonte: Extra Classe, 7/5/2026
- O IBGE contou 81.272 domicílios destruídos nos 133 municípios mais atingidos. Os balanços oficiais de moradia usam critérios diferentes e não permitem saber quantas famílias ainda esperam uma casa definitiva.Fonte: Rádio Pampa, 29/9/2026 (dados do IBGE e do Ministério das Cidades)
- O plano cita o Rio Grande do Sul uma vez, como experiência passada. Não lista as obras que pretende concluir no estado, não dá prazos e não diz o que fará com a dívida quando a suspensão acabar, em 2027.Fonte: Plano de governo de Lula, p. 73
Se Flávio Bolsonaro for eleito
Histórico: o que já aconteceu
- Como senador, Flávio votou a favor da suspensão da dívida gaúcha por três anos, aprovada por 61 votos a 0 em maio de 2024. Votou também a favor da emenda apresentada pelo PL para perdoar a dívida, rejeitada por 33 votos a 30.Fonte: Senado Federal, PLP 85/2024 (listas de votação de 15/5/2024)
- Flávio nunca chefiou o Executivo; a referência indireta é o governo do pai, Jair Bolsonaro (2019-2022). O orçamento federal para as quatro ações de prevenção a desastres (obras de mitigação, encostas, drenagem e contenção de cheias) foi de R$ 181 milhões em 2019 e de R$ 102 milhões em 2022. Em 2023 e 2024, já no governo Lula, foi de R$ 555 milhões e R$ 861 milhões.Fonte: Greenpeace Brasil, levantamento das leis orçamentárias de 2015 a 2025 (soma feita pelo site)
Proposta: o que promete
- Ampliar "a infraestrutura de prevenção a eventos climáticos extremos, com barragens de usos múltiplos, reservatórios de controle de cheias, diques, canais e obras de drenagem e macrodrenagem".Fonte: Plano de governo de Flávio Bolsonaro, p. 52
- Fortalecer o "monitoramento, alerta e resposta da Defesa Civil" e urbanizar áreas degradadas, "evitando o risco de deslizamentos em encostas".Fonte: Plano de governo de Flávio Bolsonaro, p. 47 e 52
- Em setembro, na Expointer, prometeu rever as regras de pagamento da dívida gaúcha: "Vamos pegar o Propag e ajustar o que for preciso para atender o povo do Rio Grande do Sul". O Propag é o programa federal de renegociação das dívidas dos estados.Fonte: Rádio Pampa, 2/9/2026
Projeção: o que tende a acontecer
- A tendência é de renegociação da dívida em condições mais favoráveis ao estado e de ênfase em grandes obras de contenção. O plano não diz se mantém os contratos e os programas de moradia em andamento.Análise do Risco Real
Ressalvas: críticas e incertezas
- O plano não menciona o Rio Grande do Sul, as enchentes de 2024 nem a reconstrução. A promessa sobre prevenção é nacional e está no trecho dedicado às obras hídricas do Nordeste.Fonte: Plano de governo de Flávio Bolsonaro, p. 52
- O plano não informa custo, prazo nem fonte de dinheiro para as obras de prevenção, e ao mesmo tempo promete cortar gastos e entregar superávit.Fonte: Plano de governo de Flávio Bolsonaro, p. 52 e 71
- A promessa de ajustar a dívida foi feita em evento de campanha e não está no plano registrado. Flávio não disse quais regras mudaria nem se voltaria a defender o perdão, que votou em 2024.Fonte: Rádio Pampa, 2/9/2026
Guia rápido
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Você deve votar em Lula se:
Por quê?No cenário em que Lula é eleito, a reconstrução segue o caminho atual: obras de proteção pagas pelo fundo federal de R$ 6,5 bilhões e moradias pelo Minha Casa, Minha Vida. O dinheiro existe, mas os contratos das obras só saíram dois anos depois da enchente, e não há número oficial de quantas famílias ainda esperam casa.
Você deve votar em Flávio Bolsonaro se:
Por quê?No cenário em que Flávio Bolsonaro é eleito, a promessa para o estado é renegociar a dívida em condições melhores e investir em grandes obras de contenção de cheias. O plano registrado não cita o Rio Grande do Sul nem a reconstrução, e não informa custo ou prazo das obras.
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Fontes
- Agência Brasil, 1º/5/2025: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-05/um-ano-das-enchentes-no-rs-do-caos-lenta-reconstrucao
- Extra Classe, 7/5/2026: https://www.extraclasse.org.br/ambiente/2026/05/governo-federal-destina-r-54-bilhoes-para-prevencao-a-enchentes-no-rs/
- Rádio Pampa, 29/9/2026 (dados do IBGE e do Ministério das Cidades): https://www.radiopampa.com.br/familias-ainda-enfrentam-problemas-de-moradia-mais-de-dois-anos-apos-enchentes-no-rs/
- Plano de governo de Lula, p. 73: https://static.poder360.com.br/uploads/2026/08/Programa-Governo-LULA-2026.pdf
- Senado Federal, PLP 85/2024 (listas de votação de 15/5/2024): https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/163623/votacoes
- Greenpeace Brasil, levantamento das leis orçamentárias de 2015 a 2025 (soma feita pelo site): https://www.greenpeace.org/brasil/imprensa/crise-climatica-brasil-destinou-em-media-3-do-orcamento-do-programa-de-gestao-de-risco-a-desastres-a-obras-de-prevencao/
- Plano de governo de Flávio Bolsonaro, p. 52 e 71: https://static.poder360.com.br/uploads/2026/08/plano-flavio.pdf
- Rádio Pampa, 2/9/2026: https://www.radiopampa.com.br/eleicoes-2026-flavio-diz-que-adequara-propag-para-o-rio-grande-do-sul-e-promete-projeto-para-nao-contingenciar-seguro-rural/
Atualizado em 10/10/2026. Achou um erro? Veja em Quem somos como pedir correção.